Excomungada
Confesso que vivi!
Confesso que rebolei na erva molhada pelo meu suor e, sem medo do julgamento alheio corri nua pelas calçadas, despojada de sentido e sem rumo ao arrependimento.
Não rezei.
Não comungo.
Trinco o Corpo dito sagrado desejando morrer sem a extrema-unção, desejando a condenação ao calor eterno.
Confesso que vivo à margem dos cochichos das beatas, que passam deixando cheiro a velas queimadas e a pedras molhadas.
Confesso que tenho o pecado cravado na carne, a marca a ferro quente que me atrai em noites de Lua cheia para as ruas onde vagueio na companhia dos remoinhos de vento que me Excomungam por Prazer

Confesso que rebolei na erva molhada pelo meu suor e, sem medo do julgamento alheio corri nua pelas calçadas, despojada de sentido e sem rumo ao arrependimento.
Não rezei.
Não comungo.
Trinco o Corpo dito sagrado desejando morrer sem a extrema-unção, desejando a condenação ao calor eterno.
Confesso que vivo à margem dos cochichos das beatas, que passam deixando cheiro a velas queimadas e a pedras molhadas.
Confesso que tenho o pecado cravado na carne, a marca a ferro quente que me atrai em noites de Lua cheia para as ruas onde vagueio na companhia dos remoinhos de vento que me Excomungam por Prazer

10 Comments:
E que pecado delicioso..
Esqueci me no armário.
Pensei que estava a viver,
trabalhar,
ser!
Pensei ter amado
e odiado,
aprendido
e ensinado,
fugido
e lutado,
confundido
e explicado.
Mas hoje, surpresa,
vi me esquecida
dentro do armário
calada, sozinha, perdida, parada.
Adorei o teu poema...eu vou tentar sair do armario...
bjinhos
Palavras. Tantas palavras. Sentimentos...paixão.
Gostei de voltar.
bj
Gui
coisasdagaveta.blogs.sapo.pt
Sem pecado nunca haveria o "sagrado" ;)
É mais feliz quem se deixa guiar pelas vontades do corpo! ...pela vontade de tirar o maior prazer possível da vida.
Se do crime diz-se que "não compensa", do pecado nunca ouvi dizer o mesmo...
quem não tem!!
mais importante e maior é a coragem de o dizer
muito bom
:)
Adoro esse pecado, também me assumo como pecador.
Bjinho enorme.
Querida Maçã de Junho
Pecado resulta de um julgamento cheio de subjectividade, de falsa moralidade, de preconceitos e de um desejo mórbido de fustigar o sentir dos semelhantes. Donde, na minha modesta opinião, considero que “pecado” não passa de uma palavra vazia de sentido.
O que descreves magnificamente no teu texto é antes: força de viver, esplendor de sentidos, exacerbar de quereres, o melhor que a vida nos concede... o prazer em toda a sua plenitude.
Aliás, como uma minha amiga que escreve crónicas magníficas costuma dizer “o poder e o prazer estão intimamente ligados”, donde os “donos” do poder, entre os quais as igrejas, procuram aniquilar o prazer dos outros para manterem o seu poder.
Este teu texto além de ser magnífico nos conceitos é um grito de alerta contra os preconceitos que nos procuram incutir desde muito jovens.
Beijinhos
É um pecado inevitável...
mt bonito o teu texto :)**
bjinhos e bfs
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