Do meu Ombro
Escapas do meu ombro, em quarto crescente fazes nascer os suspiros mais sonoros, tornas a respiração mais profunda e soltas o calor que faz as "senhoras" apertar as pernas roçando o nylon que sobe até as coxas e, numa atitude dissimulada, limpar a gota de suor que escorre por entre o peito e mancha a camisa de cetim que por instantes, parece demasiado apertada.
Rodas, sem formar um círculo contínuo, rodas só porque tem de ser, porque também os dedos rodam nas bocas e fazes salivar sempre mais, bocas sedentas do Ópio nocturno que conferes a quem te olha.
No final da noite, quando fica no céu a ultima estrela da madrugada, aninhas-te no meu ombro, como quem procura o aconchego quente, mas sabe, que logo logo estará de partida outra vez.

Rodas, sem formar um círculo contínuo, rodas só porque tem de ser, porque também os dedos rodam nas bocas e fazes salivar sempre mais, bocas sedentas do Ópio nocturno que conferes a quem te olha.
No final da noite, quando fica no céu a ultima estrela da madrugada, aninhas-te no meu ombro, como quem procura o aconchego quente, mas sabe, que logo logo estará de partida outra vez.

Foges do meu ombro e vejo-te assim, da minha janela...
7 Comments:
...e está linda.
Como sempre.
Beijinhos, que sopram de um raio de luar.
De quarto crescente.
gostei do desenho de escrita que senti com as tuas palavras
boa semana
...salazar ganhou, deixa-me escapar contigo e vamos para bem longe...assim, como se vê da tua janela!
O POETA E A LUA
Em meio a um cristal de ecos
O poeta vai pela rua
Seus olhos verdes de éter
Abrem cavernas na lua.
A lua volta de flanco
Eriçada de luxúria
O poeta, aloucado e branco
Palpa as nádegas da lua.
Entre as esfera nitentes
Tremeluzem pelos fulvos
O poeta, de olhar dormente
Entreabre o pente da lua.
Em frouxos de luz e água
Palpita a ferida crua
O poeta todo se lava
De palidez e doçura.
Ardente e desesperada
A lua vira em decúbito
A vinda lenta do espasmo
Aguça as pontas da lua.
O poeta afaga-lhe os braços
E o ventre que se menstrua
A lua se curva em arco
Num delírio de luxúria.
O gozo aumenta de súbito
Em frêmitos que perduram
A lua vira o outro quarto
E fica de frente, nua.
O orgasmo desce do espaço
Desfeito em estrelas e nuvens
Nos ventos do mar perpassa
Um salso cheiro de lua
E a lua, no êxtase, cresce
Se dilata e alteia e estua
O poeta se deixa em prece
Ante a beleza da lua.
Depois a lua adormece
E míngua e se apazigua...
O poeta desaparece
Envolto em cantos e plumas
Enquanto a noite enlouquece
No seu claustro de ciúmes.
(Vinicius de Moraes)
E que linda que ela é, confesso que a Lua mexe comigo. Beijinho
Olha M. não sei o que te diga.Está lindo e acho que não há comentarios para um texto assim tão intenso.
bjinhos
Doce Maçã de Junho:
O Pai Manel, homem de vida vivida, no trabalho, duro trabalho que lhe moldou o sentir, conhecedor da Natureza e dos seus desígnios, disse-me um dia:
“_Já reparaste, filho, na espantosa situação do dia de hoje – vê-se a Lua e o Sol ao mesmo tempo...”
[teria sido um sinal, que na altura não soube ler, de que a sua saúde não iria bem]
Nunca mais esqueci tal observação, embora tenha por certo que o Pai Manel já antes observara milhares de vezes esta situação, misto de poema e devaneio mental.
Tempos mais tarde, senti a importância da conjugação da Lua, o quarto crescente da Lua, com o Sol, o mítico Sol de Gaudi.
E fui feliz...
“Do meu ombro”... belo texto este que escreveste e que connosco aqui partilhas. Quanto caminhar no sonho, por mares e montanhas, até à felicidade. Bem hajas! Bjinho. Té Já!
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