domingo, março 25, 2007

Do meu Ombro

Escapas do meu ombro, em quarto crescente fazes nascer os suspiros mais sonoros, tornas a respiração mais profunda e soltas o calor que faz as "senhoras" apertar as pernas roçando o nylon que sobe até as coxas e, numa atitude dissimulada, limpar a gota de suor que escorre por entre o peito e mancha a camisa de cetim que por instantes, parece demasiado apertada.
Rodas, sem formar um círculo contínuo, rodas só porque tem de ser, porque também os dedos rodam nas bocas e fazes salivar sempre mais, bocas sedentas do Ópio nocturno que conferes a quem te olha.
No final da noite, quando fica no céu a ultima estrela da madrugada, aninhas-te no meu ombro, como quem procura o aconchego quente, mas sabe, que logo logo estará de partida outra vez.


Foges do meu ombro e vejo-te assim, da minha janela...

7 Comments:

At domingo, março 25, 2007 9:12:00 da tarde, Blogger matilde said...

...e está linda.
Como sempre.

Beijinhos, que sopram de um raio de luar.
De quarto crescente.

 
At domingo, março 25, 2007 9:14:00 da tarde, Blogger João C. Santos said...

gostei do desenho de escrita que senti com as tuas palavras

boa semana

 
At segunda-feira, março 26, 2007 12:44:00 da manhã, Anonymous Anónimo said...

...salazar ganhou, deixa-me escapar contigo e vamos para bem longe...assim, como se vê da tua janela!

 
At segunda-feira, março 26, 2007 7:48:00 da manhã, Blogger António Almeida said...

O POETA E A LUA

Em meio a um cristal de ecos
O poeta vai pela rua
Seus olhos verdes de éter
Abrem cavernas na lua.
A lua volta de flanco
Eriçada de luxúria
O poeta, aloucado e branco
Palpa as nádegas da lua.
Entre as esfera nitentes
Tremeluzem pelos fulvos
O poeta, de olhar dormente
Entreabre o pente da lua.
Em frouxos de luz e água
Palpita a ferida crua
O poeta todo se lava
De palidez e doçura.
Ardente e desesperada
A lua vira em decúbito
A vinda lenta do espasmo
Aguça as pontas da lua.
O poeta afaga-lhe os braços
E o ventre que se menstrua
A lua se curva em arco
Num delírio de luxúria.
O gozo aumenta de súbito
Em frêmitos que perduram
A lua vira o outro quarto
E fica de frente, nua.
O orgasmo desce do espaço
Desfeito em estrelas e nuvens
Nos ventos do mar perpassa
Um salso cheiro de lua
E a lua, no êxtase, cresce
Se dilata e alteia e estua
O poeta se deixa em prece
Ante a beleza da lua.
Depois a lua adormece
E míngua e se apazigua...
O poeta desaparece
Envolto em cantos e plumas
Enquanto a noite enlouquece
No seu claustro de ciúmes.

(Vinicius de Moraes)

 
At segunda-feira, março 26, 2007 9:47:00 da tarde, Blogger papagueno said...

E que linda que ela é, confesso que a Lua mexe comigo. Beijinho

 
At terça-feira, março 27, 2007 1:19:00 da tarde, Blogger as velas ardem ate ao fim said...

Olha M. não sei o que te diga.Está lindo e acho que não há comentarios para um texto assim tão intenso.

bjinhos

 
At quarta-feira, março 28, 2007 10:51:00 da manhã, Blogger Vicktor Reis said...

Doce Maçã de Junho:

O Pai Manel, homem de vida vivida, no trabalho, duro trabalho que lhe moldou o sentir, conhecedor da Natureza e dos seus desígnios, disse-me um dia:

“_Já reparaste, filho, na espantosa situação do dia de hoje – vê-se a Lua e o Sol ao mesmo tempo...”
[teria sido um sinal, que na altura não soube ler, de que a sua saúde não iria bem]

Nunca mais esqueci tal observação, embora tenha por certo que o Pai Manel já antes observara milhares de vezes esta situação, misto de poema e devaneio mental.

Tempos mais tarde, senti a importância da conjugação da Lua, o quarto crescente da Lua, com o Sol, o mítico Sol de Gaudi.

E fui feliz...



“Do meu ombro”... belo texto este que escreveste e que connosco aqui partilhas. Quanto caminhar no sonho, por mares e montanhas, até à felicidade. Bem hajas! Bjinho. Té Já!

 

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